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Início Diário da Campanha “O gravador espião“ do PS de Sousel
“O gravador espião“ do PS de Sousel
Avaliação: / 31
FracoBom 
Quarta, 14 Outubro 2009 13:13

Na passada sexta feira a candidatura do PS de Sousel colocou no seu site www.pssousel.com um artigo intitulado o “ o gravador espião “.

Nele dava conta de ter na passada quarta feira encontrado um pequeno gravador no salão da Casa do Povo de Casa Branca, por ocasião do comício que ali realizou, considerando-se por isso nada mais nada menos que alvo de espionagem…

E mais adiante reproduzia o PrintScreen do respectivo programa, de que constava o nome de Sara Dimas, assim violando a privacidade de dados e conteúdos pessoais do proprietário – utilizador consagrada na Lei e por ela protegida.

É de lamentar profundamente este comportamento, que merece os seguintes comentários:

 

    1. O nosso companheiro Nuno Paulino utilizou em 7 do corrente um gravador, que lhe havia sido emprestado pela nossa companheira Sara Dimas, para fazer o registo áudio do comício público do PS em Casa Branca.
    2. E teve o cuidado de não o fazer de forma directa e presencial para isso não ser confundido de forma alguma com qualquer atitude provocatória da sua parte para com os presentes no comício.
    3. Para tal, colocou-o em local acessível de propriedade privada pertença de familiares seus, do qual entretanto desapareceu.
    4. Esse gravador é em tudo idêntico ao referenciado no site do PS de Sousel.
    5. Se alguém da candidatura do PS de Sousel encontrou, como parece, o referido gravador, deveria de imediato ter feito aquilo que as pessoas bem formadas normalmente costumam fazer, isto é, deveria ter contactado o seu presumível proprietário, deveria ter-lhe perguntado se o gravador lhe pertencia e, se fosse esse o caso, deveria de imediato ter-lho devolvido.
    6. De quarta-feira passada para cá – já lá vão 7 dias! – ninguém da candidatura do PS de Sousel procedeu como se procede normalmente nestes casos,  contactando o presumível dono do gravador para lho devolver.
    7. Alguém reter na sua posse, sem autorização do dono, um objecto que não lhe pertence  – e como se isso não bastasse, fazer disso público alarde na internet  – é uma atitude reprovável, que tem uma designação muito feia e consequências previstas no nosso Código Penal.
    8. Alem do mais, não é normal o PS de Sousel, ou qualquer partido, considerar-se “espiado” pelo simples facto de alguém poder presenciar, gravar, filmar, reproduzir ou divulgar por qualquer forma o acontecido num seu comício num espaço público durante uma campanha eleitoral!
    9. Quem lê o site do PS de Sousel é quase levado a crer que um comício de um partido politico é equivalente a um acontecimento privado, análogo a uma festa de anos, a um baptizado, ou a uma festa de família que tenha lugar na casa particular de alguém, que nestes casos convida apenas quem muito bem entende.
    10. Acontece que um comício de um partido político é um acto público num espaço público, aberto à participação de todos quantos nele queiram participar, independentemente da sua filiação partidária ou de outro critério qualquer, e ninguém pode ser impedido de o presenciar e de divulgar o seu conteúdo.
    11. A Casa do Povo de Casa Branca é um dos espaços requisitados pelo Estado para, durante a campanha eleitoral, os partidos poderem neles levar a cabo as suas sessões de esclarecimento públicas.
    12. Mal da liberdade de expressão e de informação em Portugal se um partido politico considera um acto de espionagem a tomada de som ou de imagens de um seu comício, ou um acto de hostilidade censurável a presença de alguém que pertença a outro partido ou simplesmente pense de forma diferente.
    13. Assim sendo, o caso do “gravador espião” do actual PS de Sousel reduz-se às atitudes e aos comportamentos impróprios por parte de alguns membros locais do grande partido nacional que é o PS, e a maus exemplos censuráveis e reprováveis passíveis de punição pela Lei.